28/01/2026- Riscos de o vírus Nipah chegar ao Brasil: o que dizem especialistas e autoridades
- Angelo Mota
- 28 de jan.
- 2 min de leitura
O vírus Nipah (NiV) continua gerando preocupação global após o recente surto na Índia (Bengala Ocidental), com casos confirmados em profissionais de saúde e medidas de quarentena. Classificado pela OMS como prioridade para pesquisa devido à alta letalidade (40% a 75%, dependendo do surto), ausência de vacina e tratamento específico, o patógeno é zoonótico e circula principalmente no Sul e Sudeste Asiático.
Mas qual o risco real de chegada ao Brasil? De acordo com infectologistas brasileiros (como os ouvidos por O Globo, Valor Econômico, Folha de S.Paulo e outros veículos), o cenário é de baixo risco para introdução e, principalmente, para disseminação ampla ou estabelecimento local.
Por que o risco é considerado baixo?
O principal reservatório natural são morcegos frugívoros do gênero Pteropus (conhecidos como raposas-voadoras), que não habitam o território brasileiro. Seu habitat se concentra na Ásia, Oceania e partes da África.
Não há transmissão endêmica em animais intermediários (como porcos) nem circulação natural no país.
A transmissão entre humanos exige contato próximo e prolongado com fluidos corporais de infectados (como em cuidadores ou ambientes hospitalares), o que limita surtos a círculos restritos. Vírus de alta letalidade como o Nipah tendem a "matar" o hospedeiro rapidamente, reduzindo a capacidade de propagação explosiva (diferente de patógenos respiratórios como o SARS-CoV-2).
Especialistas como Evaldo Stanislau de Araújo (Hospital das Clínicas-SP) classificam o risco como "quase zero" para surtos locais significativos. Outros, como Julio Croda (Fiocruz/UFMS) e Benedito Fonseca (USP-Ribeirão Preto), afirmam que a possibilidade de chegada existe (via viajante infectado), mas o potencial de disseminação é baixo.
Formas possíveis de introdução (ainda que remotas):
Um viajante assintomático (período de incubação de 4 a 14 dias) vindo de área endêmica chega ao Brasil e desenvolve sintomas aqui, podendo transmitir para contatos próximos → geraria um surto localizado (não pandemia).
Importação teórica de alimentos contaminados ou animais infectados (raro, controlado por fiscalização sanitária).
Globalização e voos internacionais aumentam a chance mínima de "importação" de caso isolado.
O Ministério da Saúde mantém vigilância epidemiológica reforçada (sem alertas específicos para Nipah no momento), com protocolos de resposta rápida para doenças de alta ameaça, incluindo triagem em aeroportos, isolamento e uso de EPIs em casos suspeitos.
Medidas preventivas no Brasil:
Reforço da vigilância em pontos de entrada (aeroportos e fronteiras).
Preparo de hospitais para detecção precoce (febre + sintomas respiratórios/neurológicos em viajantes recentes da Ásia).
Evitar viagens desnecessárias a zonas de surto ativo (Índia, Bangladesh).
Foco em higiene e isolamento de casos suspeitos.
Em resumo: especialistas e fontes confiáveis coincidem que o risco de o Nipah chegar e se espalhar no Brasil é baixo, sem indícios de pandemia iminente. O foco permanece na Ásia, onde o vírus é endêmico, e a vigilância global é a melhor defesa. Não há motivo para pânico, mas atenção contínua é essencial após lições da Covid-19.










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