26/11/2025- Nordeste desperdiça quase metade da água potável produzida diariamente, aponta estudo de 2025
- Angelo Mota
- 26 de nov. de 2025
- 2 min de leitura

Em um cenário de secas intensificadas pelas mudanças climáticas, o Nordeste brasileiro continua a enfrentar um dos maiores desafios hídricos do país: o desperdício de água tratada. De acordo com o mais recente relatório "Perdas de Água 2025", divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, a região perde cerca de 46,25% do volume de água potável gerado diariamente nos sistemas de abastecimento – uma taxa que se aproxima perigosamente dos 50% e excede a média nacional de 40,31%.
Esse volume perdido equivale, em escala nacional, a impressionantes 6.346 piscinas olímpicas por dia, ou 5,8 bilhões de metros cúbicos anuais, antes mesmo de a água chegar às residências. No Nordeste, as perdas físicas sozinhas – como vazamentos em tubulações – somam mais de 3 bilhões de metros cúbicos por ano, o suficiente para atender 17,2 milhões de pessoas.
Estados em alerta: Alagoas lidera o ranking negativo
O estudo destaca disparidades gritantes entre os estados. Alagoas ocupa o topo da lista de desperdício, com 69,86% das perdas, seguido por Roraima (62,51%) e Acre (62,25%). No Nordeste, Pernambuco registra 41,79% de perdas, posicionando-se como o 15º estado mais afetado do país, com um desperdício diário equivalente a 441 piscinas olímpicas e impacto sobre mais de 2 milhões de habitantes.
Esses índices estão bem acima da meta estabelecida pela Portaria 490/2021 do Ministério da Saúde, que visa limitar as perdas a 25% em todo o território nacional. A região Norte, aliás, apresenta números ainda mais alarmantes, com 49,78% de desperdício, enquanto Sudeste e Centro-Oeste se saem melhor: São Paulo (32,66%), Goiás (25,68%) e Distrito Federal (31,46%).
Região/Estado | Taxa de Perdas (%) | Destaque |
Nordeste | 46,25 | Perdas físicas: >3 bi m³/ano |
Norte | 49,78 | Pior desempenho regional |
Alagoas | 69,86 | Líder em desperdício |
Pernambuco | 41,79 | 441 piscinas/dia perdidas |
São Paulo | 32,66 | Próximo da meta |
Goiás | 25,68 | Cumpre a meta |
Raízes do problema: Infraestrutura envelhecida e falta de investimentos
O que explica esse quadro? Principalmente vazamentos em redes antigas e mal conservadas, erros na medição de hidrômetros e conexões irregulares à rede. Municípios menores, comuns no Nordeste, sofrem com orçamentos limitados, o que agrava a precariedade da infraestrutura. "Em meio ao avanço das mudanças climáticas e ao agravamento das secas, o país desperdiça 40,31% da água tratada antes mesmo que ela chegue aos reservatórios", alerta o relatório.
Impactos profundos: Da economia à desigualdade social
Financeiramente, o desperdício gera custos extras com energia, químicos e reparos, além de perdas de receita para as concessionárias. Reduzir as perdas para 25% poderia economizar R$ 17 bilhões até 2033 no Brasil. Ambientalmente, pressiona rios e reservatórios, intensificando crises hídricas em uma região onde 34 milhões de pessoas ainda não têm acesso universal à água tratada. Socialmente, afeta desproporcionalmente comunidades vulneráveis, ampliando desigualdades.
Caminhos para o futuro: Soluções urgentes
O Trata Brasil propõe medidas concretas: implementação de monitoramento inteligente com sensores remotos, substituição de tubulações obsoletas e capacitação de equipes locais. "É hora de transformar perdas em ganhos para a segurança hídrica do país", conclui o estudo.
Com eventos climáticos extremos em ascensão, o Nordeste não pode mais esperar. Investimentos federais e estaduais são essenciais para reverter esse ciclo vicioso e garantir água para todos. O relatório completo está disponível no site do Instituto Trata Brasil.









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