21/12/2025- Ferrovia Transnordestina inicia testes e promete revolucionar o escoamento de grãos no Brasil
- Angelo Mota
- 21 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Após quase duas décadas de construção, a Ferrovia Transnordestina deu um passo importante ao começar sua fase de testes operacionais em dezembro de 2025. A primeira composição, carregada com milho, partiu em 18 de dezembro, percorrendo cerca de 585 quilômetros entre Bela Vista, no Piauí, e Iguatu, no Ceará. Essa etapa marca o início de uma nova era para a infraestrutura logística do Nordeste.
A autorização veio após a emissão da Licença de Operação pelo Ibama, no dia 11 de dezembro, liberando o transporte experimental de cargas no trecho inicial. Gerida pela Transnordestina Logística S.A. (TLSA), controlada pela CSN, a ferrovia já conta com mais de R$ 15 bilhões investidos e avanço físico superior a 78% na fase principal.
Transformação na logística de grãos
O projeto altera significativamente o fluxo de commodities agrícolas, especialmente da região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e partes do Centro-Oeste. Hoje, grande volume de soja, milho e outros grãos segue por caminhões até portos distantes no Sudeste, como Santos, elevando custos e tempos de transporte. Com a Transnordestina, surge uma alternativa mais eficiente rumo aos portos nordestinos, em especial o Complexo do Pecém, no Ceará.
A partir de 2026, o Pecém ganhará um terminal específico para granéis agrícolas, minérios e fertilizantes, o que deve impulsionar as exportações e atrair mais cargas de retorno, como insumos para o campo. Especialistas apontam que, integrada a outras ferrovias como a FIOL e a Ferrogrão, a Transnordestina pode reduzir drasticamente os custos logísticos, tornando o agronegócio brasileiro mais competitivo no mercado global.
Detalhes e perspectivas
Com extensão total projetada de 1.206 km, ligando Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém e passando por Pernambuco e Ceará, a ferrovia transportará não só grãos, mas também minérios, gesso, fertilizantes, contêineres e combustíveis. A fase de comissionamento dura cerca de 20 dias, com operação comercial plena prevista para 2026 e conclusão total da primeira etapa em 2027.
O presidente da TLSA, Tufi Daher Filho, enfatizou que o projeto elimina rotas ineficientes atuais e pode duplicar a capacidade do Porto do Pecém em uma década, fortalecendo o Nordeste como hub exportador.
Essa iniciativa representa um avanço crucial para a economia regional, diminuindo a dependência do modal rodoviário, gerando empregos e impulsionando o desenvolvimento sustentável do agronegócio nacional.










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