18/01/2026- Mercosul e União Europeia assinam acordo comercial histórico em Assunção
- Angelo Mota
- 18 de jan.
- 2 min de leitura

Após mais de 25 anos de negociações, os dois blocos selam parceria que cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo
Assunção (Paraguai) – 17 de janeiro de 2026 Os representantes do Mercosul e da União Europeia formalizaram neste sábado, em cerimônia realizada em Assunção, no Paraguai, o acordo de parceria comercial que vinha sendo negociado desde o final dos anos 1990. O tratado estabelece a maior área de livre comércio do planeta, abrangendo mais de 720 milhões de consumidores e um PIB combinado superior a US$ 22 trilhões.
A assinatura contou com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e de líderes dos países do Mercosul, com exceção do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que não compareceu à cerimônia. O evento ocorreu no Grande Teatro José Asunción Flores, simbolicamente no mesmo país onde o Mercosul foi fundado, em 1991.
Principais pontos do acordo
O tratado prevê a eliminação progressiva de tarifas alfandegárias em mais de 90% das linhas tarifárias ao longo de até 15 anos, além de regras comuns para investimentos, serviços, compras governamentais e propriedade intelectual. Entre os destaques:
Benefícios para o Brasil e o Mercosul: maior acesso ao mercado europeu para produtos agrícolas e agroindustriais, como carnes bovina e de frango, soja, café, frutas, açúcar e etanol. O acordo inclui cotas específicas que ampliam as exportações sem concorrência desleal.
Vantagens para a União Europeia: redução de barreiras para exportações industriais, como automóveis, máquinas, produtos químicos, farmacêuticos, vinhos, queijos e outros lácteos.
Impacto econômico projetado: estudos da Comissão Europeia estimam aumento de até € 50 bilhões nas exportações da UE até 2040, enquanto o Mercosul pode ganhar cerca de € 9 bilhões. Para o consumidor brasileiro, produtos importados da Europa devem ficar mais acessíveis com a queda gradual de impostos.
Próximos passos e desafios
Embora a assinatura marque o fim das negociações, o acordo ainda não entra em vigor imediatamente. Ele passará por processos de ratificação:
No lado europeu, o texto precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e, em partes específicas, pelos parlamentos nacionais dos 27 países da UE – etapa que pode enfrentar resistências, especialmente de agricultores franceses, poloneses e irlandeses preocupados com a concorrência sul-americana.
Nos países do Mercosul, a aprovação cabe aos Congressos nacionais.
Parte comercial do acordo pode ser aplicada provisoriamente por meio de um instrumento interino, acelerando benefícios como redução de tarifas.
Reações e contexto
Ursula von der Leyen classificou o dia como “histórico” e destacou a importância estratégica da parceria em um mundo marcado por tensões comerciais. Autoridades brasileiras celebraram o avanço, apontando ganhos para emprego, investimento estrangeiro e modernização da economia.
O acordo supera obstáculos recentes, como preocupações ambientais e pressões políticas internas na Europa, e reforça a posição dos dois blocos no comércio global.
Com informações de fontes oficiais da UE e do Mercosul.









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