08/12/2025- Reviravolta na Rodada Final: Fortaleza e Ceará Despencam para Série B; Vitória e Inter Sobrevivem no Brasileirão 2025
- Angelo Mota
- 8 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

A temporada do Brasileirão 2025 terminou no domingo (7) com um capítulo de suspense digno de roteiro de cinema, repleto de viradas, desespero e explosões de alegria. Os rivais cearenses Fortaleza e Ceará selaram sua queda para a Série B em 2026, ecoando um trauma coletivo inédito desde 1993, quando os dois caíram de mãos dadas. Completando o grupo dos condenados, Juventude e Sport também se despedem da elite, ao passo que Vitória e Internacional, em batalhas paralelas de arrepiar, conquistaram a salvação nos instantes derradeiros, mantendo o status na primeira divisão.
A 38ª rodada, realizada em uníssono nos 20 palcos nacionais, traçou o mapa final da luta contra a degola para seis postulantes. Ao fim dos 90 minutos, a classificação parou com Ceará na 18ª posição (43 pontos), Fortaleza na 17ª (44), Juventude na 19ª (42) e Sport na lanterna (41). Vitória (15º, 45) e Inter (14º, 46), por sua vez, colheram vitórias morais e pontos vitais, beneficiados por escorregões dos adversários diretos.
No coração do Ceará, o Castelão foi palco de uma derrota amarga do Fortaleza por 2 a 1 ante o Bahia, sob os olhos de Vagner Mancini, que não conteve o declínio de um time que almejava brigar no G-6 no arranque do ano, mas acabou engolido por contusões e falhas na retaguarda. "Hoje é um momento de dor para o Leão, mas transformaremos essa ferida em motivação para o retorno veloz. Nossa torcida rubro-negra é o nosso motor, e na Segundona vamos disputar como se fosse o Mundial", declarou o líder Tinga, voz trêmula, em entrevista à Globo Esporte, enquanto o estádio misturava assobios a palmas de respeito.
Poucos quilômetros adiante, no PV, o Ceará viu o sonho ruir com um revés de 1 a 0 para o Santos, em confronto que desnudou as vulnerabilidades de um esquadrão que retornara à Série A em 2024 com ambições altas, mas sucumbiu a desavenças internas e um setor ofensivo anêmico – só 32 tentos em 38 partidas. "Rebaixar o Vozão machuca fundo. Lutamos até o limite, mas o esporte é assim, imprevisível. Hora de erguer a cabeça, dominar a Segunda Divisão e reconquistar nosso lugar ao sol", refletiu Dorival Júnior, treinador desde setembro, em coletiva carregada de sentimento. O clássico com o Fortaleza agora ganha contornos picantes: após 32 anos, os dois clássicos cearenses duelarão na mesma arena em 2026, prometendo faíscas e disputa pelo reinado regional.
No extremo oposto, o Hemisfério Sul explodiu em comemorações. Em Porto Alegre, o Beira-Rio testemunhou um Internacional acuado, cotado como zebra para o Z-4, empatar em 1 a 1 com o Grêmio num Gre-Nal de vida ou morte. O placar, aliado ao tropeço cearense, rendeu uma folga de dois pontos. "Esse 1 a 1 vale ouro puro. A nação colorada é indomável, e nós a representamos com honra. Inter na elite é tradição inquebrantável", celebrou o defensor Vitão, exibindo a camisa para os fanáticos que encheram as tribunas em uma montanha-russa de angústia e êxtase.
Mais ao norte, em Salvador, o Vitória encenou o thriller da noite: no sufoco por 2 a 0 contra o Flamengo até os 35 do segundo tempo, o Leão baiano protagonizou uma remontada épica – tentos de Léo Gamalho e Dudu – para vencer por 3 a 2 e assegurar a glória. "Foi a mão divina no uniforme do rubro-negro. O Vitória transcende qualquer revés", proclamou o mandatário Mário Silva, que assistiu à invasão festiva da torcida ao relvado. O esquadrão soteropolitano, que dançou no Z-4 por exatas 20 jornadas, fecha o ciclo como azarão vitorioso.
Arrematando os desgraçados, o Sport, isolado na rabeira, tombou por 3 a 0 para o Palmeiras e se retira da Série A um ano após o acesso, enquanto o Juventude, em casa, empatou sem gols com o Athletico-PR, confirmando o adeus gaúcho. "O Leão pernambucano desce para a Série B com cicatrizes profundas, mas com o espírito indômito de sempre. 2026 será hora de vingança", jurou o armador Chrystian, ao Lance!.
Encerrada a saga, o torneio coroa o Flamengo como tetra, mas o debate agora vira para o futuro. A CBF sinaliza ajustes no regulamento para 2026, com foco em imparcialidade arbitral e incentivos aos ascendentes. Para os caídos, o prazo urge: refazer plantéis para uma Segundona histórica, repleta de pesos-pesados como os duos nordestinos.









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