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08/12/2025- Fiéis sobem Morro da Conceição de joelhos, descalços ou com tijolos: devoção marca o Dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição

  • Foto do escritor: Angelo Mota
    Angelo Mota
  • 8 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura
O estudante de educação física Roberto Ferreira da Silva Filho, de 33 anos, subiu o morro de costas e descalço (Francisco Silva/DP Foto)
O estudante de educação física Roberto Ferreira da Silva Filho, de 33 anos, subiu o morro de costas e descalço (Francisco Silva/DP Foto)

 O icônico Morro da Conceição, na Zona Norte do Recife, vestiu-se de tons azul e branco nesta segunda-feira, homenageando a padroeira local em sua 121ª Festa de Nossa Senhora da Conceição. A celebração, que dura 11 dias e projeta um público total de 2,5 milhões de pessoas, concentra seu ponto alto hoje, com estimativa de 500 mil peregrinos. Muitos enfrentam a subida acidentada com penitências extremas: a pé descalços, rastejando de joelhos, de costas ou equilibrando tijolos sobre a cabeça, tudo em sinal de agradecimento por bênçãos como saúde recuperada, vagas de trabalho ou lares conquistados.

Essa herança de devoção, que ecoa séculos de súplicas em tempos difíceis, ganha novo vigor após a reconstrução total do santuário, finalizada meses depois do colapso em agosto de 2024. A imagem sagrada ocupa novamente seu altar renovado, sob o lema "Com o olhar voltado à Imaculada, reacendemos a chama da esperança", que dialoga com o Jubileu da Esperança promovido pela Igreja Católica.

Entre os rituais mais simbólicos, destaca-se o de carregar tijolos, representando a luta por um teto seguro. Foi o caso de André Luiz Marcelino, 41 anos, vendedor residente no Ibura, que escalou o morro com um bloco de construção na cabeça para celebrar a revitalização de sua moradia. "Prometemos isso quando a obra mal havia começado, no ano passado. Agora, tudo pronto, graças à santa", relatou ele, que partiu de casa caminhando e chegou ao cume pouco antes das 10h.

Da mesma forma, Kaelly Fernanda, 24 anos, ergueu seu tijolo como troféu pessoal: exatamente 12 meses após implorar pela casa dos sonhos em Igarassu, ela recebe as chaves ainda nesta tarde. "Foi Nossa Senhora quem orquestrou tudo. Um ano exato de espera e fé inabalável", disse ela, com lágrimas de alívio e alegria.

Renata Carla, 48 anos, técnica de enfermagem de Casa Amarela, também celebrou uma vitória antiga: proprietária de sua residência há apenas 30 dias, após anos de orações persistentes, ela subiu para retribuir. "Pedia isso há tanto tempo... Hoje, só gratidão", murmurou, a emoção transbordando na voz.

As promessas vão além do concreto e alcançam o emocional. Arlete Maria de Lima, 55 anos, do Cordeiro, participou do Grupo Caminhada da Fé, percorrendo o trajeto inteiro a pé e rezando o rosário na ida e na volta. "Nossa Senhora é nossa força total. Por ela, vêm curas, prosperidade, empregos. E pedimos pela salvação dos filhos, pela juventude, pela paz global em meio à tanta dor", confidenciou Arlete, ampliando o apelo para além das fronteiras locais.

Já Elizabeth Rodrigues, 51 anos, de Jardim São Paulo, inovou com uma peregrinação dinâmica: correu cerca de 10 quilômetros até o local, unindo exercício físico à espiritual. "Num mundo cheio de conflitos, é essencial vivenciar a fé assim. Venho todo ano para louvar minha mãe espiritual e a santa. Ver essa multidão de católicos unidos é inspirador."

O cronograma do dia amplifica a intensidade: celebrações eucarísticas ocorrem a cada hora no santuário e no palco central até as 15h, dando lugar à procissão magna. Às 16h, o percurso sai do Cais do Apolo, segue pela Ponte do Limoeiro e Avenida Norte Miguel Arraes, culminando na Praça da Conceição por volta das 19h. Antes, às 16h, o padre Damião Silva anima com uma apresentação religiosa para os que lotam o morro. O ato final, às 19h, conta com a presidência do arcebispo Dom Paulo Jackson, da Arquidiocese de Olinda e Recife.

Para veteranos como Eduardo Corrêa da Silva, 50 anos, de Rio Doce em Olinda – que sobe há duas décadas –, o evento é bálsamo para a alma. "Este ano, minha mãe padecia de grave doença, mas se recuperou. Subo para agradecer e suplicar pelo meu Sport: que 2026 traga vitórias e nos anime de novo", ironizou ele, entrelaçando religiosidade e torcida leonina.

Anderson Magno, agente pastoral, captura a essência: "Essa é a devoção mais amada não só em Pernambuco, mas no país inteiro. Ela simboliza esperança, alívio, abraço divino e triunfo. Aqui, vemos a prova de que ela transborda graça."

 
 
 

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