19/10/2025- Recife Planeja Ações para Enfrentar a Elevação do Nível do Mar
- Angelo Mota
- 19 de out. de 2025
- 3 min de leitura
Recife, uma das cidades brasileiras mais vulneráveis às mudanças climáticas, enfrenta os impactos do avanço do oceano Atlântico, impulsionado pelo aquecimento global. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a capital pernambucana é a 16ª cidade mais ameaçada no mundo e a primeira no Brasil, devido à sua baixa altitude, formação deltaica dos rios Capibaribe e Beberibe e alta densidade populacional. Recentemente, eventos como o Recife Exchange Netherlands (RXN), realizado entre 13 e 17 de outubro de 2025, reuniram especialistas do Brasil e da Holanda para discutir soluções adaptativas contra inundações e erosão costeira.
Impactos Atuais e Futuros
A elevação do nível do mar, que globalmente subiu 9,4 cm nos últimos 30 anos e pode ter atingido até 40 cm em Recife no último século, já provoca efeitos visíveis. Projeções indicam que, sem redução nas emissões de carbono, bairros como Aflitos e Casa Amarela podem ficar submersos até 2050. Os principais impactos incluem:
Erosão Costeira e Alagamentos: Praias como Boa Viagem e Pina enfrentam perda de faixa de areia e inundações frequentes, intensificadas por ressacas e ciclones.
Salinização e Saúde Pública: A contaminação de aquíferos compromete o abastecimento de água, enquanto ondas de calor elevam casos de doenças como dengue.
Impactos Sociais e Econômicos: Comunidades de baixa renda, especialmente em áreas periféricas, sofrem com deslocamentos forçados, além de perdas no turismo e na pesca.
Modelos da Climate Central mostram que um aumento de 1,5°C na temperatura global pode inundar ruas centrais; com 3°C, grande parte da cidade estaria sob risco.
Estratégias em Debate
A Prefeitura do Recife, em colaboração com a UFPE, BID e ONU Habitat, busca soluções integradas de adaptação e mitigação. Em 2024, a cidade passou a integrar a Ocean Rise & Coastal Resilience Coalition, ao lado de metrópoles como Nova York, para compartilhar tecnologias e atrair investimentos. O prefeito João Campos destacou projetos financiados pelo BID para enfrentar eventos climáticos extremos. As principais medidas incluem:
Estratégia | Descrição | Exemplos Locais |
Plano de Resiliência Climática | Mapeamento de riscos (inundações, deslizamentos) e monitoramento de emissões. | Plano de 2021, atualizado com inventário de gases de efeito estufa e Sistema Municipal de Unidades Protegidas (SMUP). |
Obras de Contenção | Projetos para conter o avanço do mar, inspirados em técnicas holandesas. | Edital de 2024 para contenção em praias; Parque Alagável do Tejipió, com áreas verdes para absorção de água. |
Reassentamento e Urbanismo | Realocação de moradores de áreas de risco e criação de espaços multifuncionais. | Remoção planejada em Casa Amarela; parques integrados para lazer e proteção ambiental. |
Parcerias Globais | Colaboração internacional para soluções baseadas na natureza, como restauração de mangues. | RXN 2025, com oficinas sobre adaptação; Fórum RXN 2021 sobre gestão hídrica. |
Conscientização e Mitigação | Campanhas para reduzir emissões e engajar a população. | Iniciativas como Urban LEDS II e eventos de conscientização climática. |
Essas ações combinam mitigação (corte de emissões) e adaptação (convivência com impactos), com especialistas como Moacyr Araújo (UFPE) reforçando a urgência de medidas coordenadas.
Desafios e Perspectivas
Apesar dos avanços, Recife enfrenta obstáculos como desigualdades sociais, que agravam a vulnerabilidade de comunidades periféricas, e a necessidade de recursos para obras de grande escala. A participação na coalizão global pode facilitar financiamentos, mas a implementação local é crucial. Eventos como o Dia de Conscientização das Mudanças Climáticas, previsto para março de 2026, buscam mobilizar a sociedade.
Para mais informações, consulte o site da Prefeitura do Recife (recife.pe.gov.br) ou acompanhe as redes sociais da UFPE. Atualizações do RXN 2025 podem trazer novas propostas para proteger a cidade.










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