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15/09/2026- Após mais de uma década parado, o monitoramento científico de tubarões voltou a ser realizado no litoral de Pernambuco

Foto do escritor: Angelo Mota
Angelo Mota
há 21 horas
2 min de leitura
Fêmea de tubarão-flamengo foi capturada marcada, analisada e devolvida ao mar (Foto: Divulgação/Ecotuba)
Fêmea de tubarão-flamengo foi capturada marcada, analisada e devolvida ao mar (Foto: Divulgação/Ecotuba)

A equipe da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), por meio do Projeto Ecotuba, iniciou as atividades de campo no começo de setembro de 2026. O programa, com duração prevista de dois anos e orçamento próximo de R$ 2 milhões (recursos da Secti/Facepe e do Fundo Estadual de Meio Ambiente), pretende marcar até 50 exemplares, priorizando as espécies tigre e cabeça-chata — as mais ligadas aos casos registrados na região.


Como o trabalho é feito

Os pesquisadores capturam os animais de forma temporária usando espinhel (linha com anzóis circulares e iscas). Embarcados, os tubarões passam por uma série de procedimentos rápidos:

  • Identificação da espécie, medição e determinação do sexo

  • Coleta de sangue e tecido para exames genéticos e de biomonitoramento

  • Ultrassonografia nas fêmeas para verificar estágio reprodutivo

  • Implantação de um transmissor acústico (semelhante a um microchip) na região ventral

  • Colocação de uma etiqueta externa na nadadeira dorsal com dados de contato do projeto


Em seguida, o animal é liberado em área mais distante da costa. Receptores instalados no fundo do mar captam os sinais dos transmissores sempre que o tubarão passa por perto, permitindo acompanhar rotas, áreas de permanência e hábitos de uso do espaço.

A primeira saída, realizada em 4 de setembro, teve caráter de teste para avaliar embarcação, equipamentos e métodos. Naquela ocasião, não houve captura. Novas expedições estavam programadas para os dias seguintes, com a meta de realizar cerca de 100 saídas até o final do ano.


Por que a retomada

O rastreamento na costa continental havia sido interrompido em 2015 por falta de verba (continuava apenas em Fernando de Noronha). A decisão de recomeçar veio depois de uma sequência de incidentes em 2026, que reacenderam o debate sobre segurança nas praias. O foco principal é a faixa entre Olinda e o Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife. O objetivo é produzir dados atualizados que ajudem a orientar ações de prevenção, educação ambiental e proteção dos banhistas.

Até as informações mais recentes disponíveis, ainda não havia confirmação oficial da marcação do primeiro animal após o reinício das pesquisas. As equipes seguem em campo.

 
 
 

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