05/06/2026- Programa de Monitoramento de Tubarões em Pernambuco: entenda como vai funcionar
- Angelo Mota
- há 2 dias
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Após mais de 11 anos sem ações estruturadas, Pernambuco retoma o monitoramento científico de tubarões na costa da Região Metropolitana do Recife (RMR). O projeto é coordenado pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) e executado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), por meio do Projeto Ecotuba. A iniciativa conta com investimento de cerca de R$ 1 milhão, obtido via edital Cientista Arretado.
O principal foco são as espécies tubarão-tigre e cabeça-chata, as mais relacionadas aos incidentes na região. A meta é capturar, marcar e rastrear cerca de 50 indivíduos, com o início das operações previsto para julho de 2026. O objetivo central é mapear os movimentos desses animais, identificar áreas de maior presença e gerar informações científicas que auxiliem na prevenção de ataques, especialmente nos aproximadamente 33 km de costa mais crítica.
Como será o processo passo a passo
Instalação da rede de receptores acústicos Antes das capturas, será implantada uma rede de receptores submersos no fundo do mar, em profundidades de 10 a 15 metros, posicionados paralelamente à praia (cerca de 1 a 1,5 km da areia). Cada receptor, do tamanho aproximado de uma garrafa PET de 1 litro, detecta sinais em um raio de até 700 metros a 1 km. O equipamento registra data, horário e passagem dos tubarões marcados.
Definição das zonas de captura As áreas serão selecionadas com base em dados históricos, observações e indícios de uso frequente pelos tubarões (alimentação, reprodução ou permanência). A escolha é definida em parceria com o Cemit.
Captura dos animais Feita em alto-mar utilizando espinhéis (linhas longas com anzóis posicionados à meia-água), método padrão em pesquisas científicas. Os exemplares capturados são levados para uma embarcação equipada.
Avaliação e coleta de dados biológicos A bordo, a equipe realiza:
Identificação da espécie e medições corporais;
Coleta de amostras de sangue e tecido para análises genéticas, de saúde, contaminantes e reprodução;
Exames fisiológicos e, quando aplicável em fêmeas, ultrassonografia. Esses dados também contribuem para avaliar a qualidade do ecossistema marinho.
Implantação do transmissor acústico Um pequeno chip transmissor (tamanho semelhante a uma pilha) é inserido por meio de microcirurgia na região ventral do animal. O procedimento segue padrões internacionais, é realizado por profissionais experientes e dura poucos minutos. Cada transmissor emite um sinal único.
Devolução ao mar Todo o manejo no barco é rápido — cerca de 15 minutos — para minimizar o estresse. Em seguida, o tubarão é devolvido ao oceano.
Monitoramento contínuo Sempre que um tubarão marcado passa próximo a um receptor, o sinal é automaticamente registrado. Com o tempo, será possível mapear rotas de deslocamento, áreas de uso e padrões de comportamento. Os dados serão integrados a informações oceanográficas e sensoriamento remoto. Há ainda previsão de integração com o programa de monitoramento de Fernando de Noronha.
Objetivos e benefícios esperados
O programa busca equilibrar segurança pública e conservação marinha. Os resultados devem apoiar:
Ajustes em medidas de restrição de banho e atividades náuticas;
Melhorias na sinalização e comunicação com banhistas;
Ações de educação ambiental;
Políticas mais eficazes de convivência com o ambiente costeiro.
O projeto segue rigorosos protocolos éticos e conta com todas as autorizações necessárias (Ibama, ICMBio, comitês de ética animal etc.). Ele complementa outras iniciativas em andamento, como reforço de salva-vidas, reposição de placas de alerta e campanhas de conscientização.
Para mais informações oficiais, consulte o site do Cemit ou da SEMAS-PE.







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