03/09/2026- Com o aumento das temperaturas, Recife aposta em soluções verdes para enfrentar o calor urbano
- Angelo Mota
- há 9 horas
- 2 min de leitura

Diante do avanço das temperaturas e do intensificação das ilhas de calor, a capital pernambucana vem ampliando o uso de infraestruturas verdes como estratégia de adaptação climática. Telhados vegetados, expansão da arborização e intervenções baseadas na natureza ganham espaço em políticas públicas e projetos urbanos, com o objetivo de reduzir o calor, melhorar o conforto térmico e fortalecer a resiliência da cidade.
Pesquisas recentes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) reforçam o potencial dos telhados verdes. Experimentos realizados na Unidade Experimental de Telhados Ecológicos do Recife (UETER) mostraram que coberturas vegetadas mantêm temperaturas internas mais baixas em comparação com lajes convencionais. Em um dos testes, enquanto um telhado comum chegou a 33°C, o verde permaneceu próximo de 30°C. A vegetação atua como isolante natural, reduz a absorção de calor e promove resfriamento por evapotranspiração, além de ajudar na retenção de água da chuva.
No campo legislativo, Pernambuco avançou com normas específicas. A Lei Estadual nº 18.875/2025 determina que novos empreendimentos com mais de quatro pavimentos incluam vegetação em lajes, coberturas, estacionamentos ou áreas de lazer. Outra legislação, a de nº 18.996/2025, instituiu uma política de incentivo aos telhados verdes, com estímulo econômico para imóveis existentes e ações de capacitação técnica.
A arborização também aparece como eixo central. Em 2026, Recife recebeu o selo internacional “Tree City of the World”, da FAO/ONU, após registrar cerca de 60 m² de área verde por habitante — índice cinco vezes superior à recomendação mínima da Organização Mundial da Saúde. A cidade conta com mais de 259 mil árvores catalogadas e uma cobertura vegetal que representa parcela significativa do território municipal.
Estudos locais indicam que áreas bem arborizadas podem registrar queda de até 3°C na temperatura ambiente, com impacto positivo no consumo de energia para climatização.
Além disso, a capital foi selecionada para o Acelerador de Soluções para o Calor Urbano, iniciativa do WRI Brasil. O projeto “Centro Parque Resiliente”, desenvolvido em parceria com a Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES) e o Instituto da Cidade Pelópidas Silveira, prevê a criação de refúgios climáticos em praças e pátios da área central, com sombreamento, vegetação e solo permeável. Outra frente é o programa Periferia Verde, que destinou recursos federais para soluções baseadas na natureza no bairro do Cajueiro, incluindo jardins de chuva, biovaletas, canteiros drenantes e plantio de árvores, com foco na redução de alagamentos e no conforto térmico.
A gestão municipal também prevê, na legislação urbanística, incentivos para pisos permeáveis, fachadas verdes, preservação e plantio de árvores em lotes privados. Essas medidas se somam a experiências já em operação, como o Jardim Filtrante do Parque do Caiara, que combina tratamento de água e ampliação de áreas verdes.
Especialistas e gestores apontam que, apesar dos avanços, desafios permanecem. A cidade ainda enfrenta densificação intensa em alguns bairros e a necessidade de consolidar a arborização como infraestrutura estratégica de longo prazo. Mesmo assim, as ações em curso sinalizam uma mudança de abordagem: tratar a vegetação não apenas como elemento paisagístico, mas como ferramenta essencial para enfrentar o calor urbano e as consequências das mudanças climáticas.


.png)
![[PMC]-BANNER_720X90PX_Brega-Bregoso---PORTAL-.png](https://static.wixstatic.com/media/adbcf8_a50efcbee498406fa3ee44a84096a51f~mv2.png/v1/fill/w_720,h_90,al_c,q_85,enc_avif,quality_auto/%5BPMC%5D-BANNER_720X90PX_Brega-Bregoso---PORTAL-.png)






Comentários