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28/10/2026- Olhos que brilham na água: UFRPE monitora jacarés no Açude de Apipucos

Foto do escritor: Angelo Mota
Angelo Mota
há 7 horas
2 min de leitura


Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco estudam a população de jacarés-de-papo-amarelo no açude da Zona Norte do Recife. O trabalho usa a reflexão da luz nos olhos dos animais à noite e reforça a importância de não alimentá-los.


À noite, o Açude de Apipucos, na Zona Norte do Recife, revela um espetáculo peculiar: dezenas de pontos luminosos flutuando sobre a água. Não são vagalumes nem reflexos qualquer. São os olhos de jacarés-de-papo-amarelo (Caiman latirostris), que brilham quando iluminados por lanternas. Essa característica natural — chamada tapetum lucidum — é aproveitada pelos pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) para contar e monitorar a população do local.


O trabalho faz parte do Projeto Ecologia e Conservação de Jacarés, sediado no Laboratório Interdisciplinar de Anfíbios e Répteis (LIAR) da UFRPE, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e outras instituições. Desde 2013, a equipe já registrou mais de mil indivíduos da espécie em rios, canais e açudes da Região Metropolitana do Recife. Até o momento, não há nenhum registro de ataque a humanos.

A partir de 2025, o Açude de Apipucos passou a ser prioridade no monitoramento.


A decisão veio da preocupação com a proximidade entre os répteis e os moradores do entorno. Muitos animais se aproximam da beira porque recebem comida oferecida por pessoas da comunidade prática que os pesquisadores desaconselham com veemência.

“Esses animais são selvagens e precisam exercer sua função ecológica. No ambiente de água doce, eles estão no topo da cadeia alimentar”, explica a professora Jozélia Correia, da UFRPE. Alimentá-los altera o comportamento natural e eleva o risco de acidentes, especialmente se alguém escorregar ou se aproximar demais.


Os jacarés-de-papo-amarelo são a espécie mais comum em Pernambuco. Podem chegar a cerca de dois metros de comprimento e costumam ser discretos durante o dia, ficando mais ativos à noite. O monitoramento noturno, com o uso da reflexão dos olhos, permite estimar densidade populacional e acompanhar a saúde do grupo sem necessidade de captura constante.


Os pesquisadores reforçam que a convivência é possível e segura desde que se mantenha distância e se evite qualquer tipo de alimentação. O estudo continua em andamento para compreender melhor o status da população no açude e subsidiar ações de educação ambiental junto à comunidade de Apipucos.

 
 
 

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