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06/11/2026- Senado do Paraguai retoma julgamento político de Santiago Peña após crise no Ueno Bank

Foto do escritor: Angelo Mota
Angelo Mota
há 11 minutos
2 min de leitura
Presidente do Paraguai, Santiago Peña (Frederico Parra/AFP)
Presidente do Paraguai, Santiago Peña (Frederico Parra/AFP)

O presidente paraguaio, que anunciou a renúncia na quinta-feira, continua no cargo e enfrenta processo de destituição no Senado nesta sexta-feira (6). A crise bancária que congelou contas de quase 3 milhões de pessoas gerou protestos e pressão política intensa.


O Senado do Paraguai retomou nesta sexta-feira (6) o julgamento político do presidente Santiago Peña, acusado de responsabilidade na crise que levou à intervenção e liquidação do Ueno Bank. Apesar de ter anunciado a renúncia na tarde de quinta-feira, o mandatário permanece no cargo porque o Congresso não formalizou a aceitação do pedido.


A Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, no dia anterior, a abertura do processo de destituição. O Senado, responsável pelo julgamento, rejeitou nesta manhã o pedido de Peña de mais 72 horas para preparar sua defesa e manteve a sessão. O presidente pode se apresentar pessoalmente ou por meio de advogados.


A crise teve origem na intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, instituição digital que concentrou cerca de 2,9 milhões de clientes — aproximadamente 60% da população adulta do país. Com a liquidação, milhões de pessoas ficaram sem acesso às contas, incluindo depósitos de órgãos públicos e do Instituto de Previsión Social. Protestos se espalharam por Assunção e outras cidades, com manifestantes cobrando a devolução dos recursos e a responsabilização dos envolvidos.


Peña foi acionista do grupo controlador do banco até março de 2025. As acusações incluem conflito de interesses, falhas na supervisão e uso inadequado de recursos públicos e previdenciários. O vice-presidente Pedro Alliana não foi incluído no processo e deverá assumir o cargo caso a destituição seja confirmada.


Para afastar Peña, são necessários pelo menos 30 votos dos 45 senadores. Se condenado, ele perde o mandato e o direito ao cargo de senador vitalício, previsto para ex-presidentes. O julgamento segue com etapas de defesa, análise de provas, alegatos e votação. O resultado pode definir a sucessão ainda nesta sexta ou nos próximos dias.

 
 
 

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